A síndrome de Kawasaki é uma doença que afeta crianças com menos de 5 anos de idade, causando erupção cutânea, febre, aumento de tamanho dos linfonodos e, algumas vezes, inflamação cardíaca e articular.

A causa da síndrome de Kawasaki é desconhecida, mas algumas evidências sugerem um vírus ou um outro agente infeccioso. A síndrome de Kawasaki foi descrita pela primeira vez no Japão, no final da década de 1960. Desde então, milhares de casos foram diagnosticados em todo mundo, atingindo grupos raciais e étnicos diversos, embora ela continue sendo mais comum no Japão. Nos Estados Unidos, estima-se que ocorram anualmente vários milhares de casos.

A maioria das crianças com síndrome de Kawasaki têm idades que variam de 2 meses a 5 anos, embora ela já tenha sido descrita em adolescentes. A incidência da síndrome de Kawasaki é aproximadamente 2 vezes maior entre os meninos que entre as meninas. Raramente, o distúrbio pode afetar vários membros de uma mesma casa.

Sintomas

A doença começa com febre, a qual sobe e desce, mas, geralmente, ela mantém-se acima dos 39 oC. A criança torna-se irritadiça, freqüentemente apresenta sonolência e, ocasionalmente, sente dor abdominal (cólica). Em um dia, surge geralmente uma erupção maculosa e vermelha sobre o tronco e em torno da área da fralda. Ao longo de vários dias, a erupção cutânea estende-se para as membranas mucosas, (p.ex., revestimento da boca ou da vagina). A criança apresenta garganta hiperemiada (vermelha); lábios com fissuras, secos e hiperemiados; e uma língua vermelha como morango. Ambos os olhos podem tornar-se hiperemiados, mas sem secreção. As palmas das mãos e as plantas dos pés tornam-se vermelhos ou violáceos e as mãos e os pés freqüentemente tornam-se edemaciados. Aproximadamente 10 a 20 dias após o início da doença, começa a ocorrer descamação da pele dos dedos das mãos e dos pés. Os linfonodos geralmente apresentam- se aumentados de volumes e levemente dolorosos à palpação.
03/01/09
Cris
A complicação mais grave da síndrome de Kawasaki é a doença cardíaca. Os outros sintomas da síndrome não acarretam problemas crônicos da pele, dos olhos ou dos linfonodos. Aproximadamente 5 a 20% das crianças com síndrome de Kawasaki apresentam complicações cardíacas. Geralmente, essas complicações manifestam-se 2 a 4 semanas após o início da doença. O problema cardíaco mais grave é a dilatação anormal das artérias coronárias. Embora uma dilatação discreta dessas artérias possa desaparecer, o aneurisma (dilatação acentuada) pode causar infarto do miocárdio e morte súbita. Outras complicações da síndrome de Kawasaki (p.ex., inflamação das meninges, das articulações ou da vesícula biliar) acabam curando sem deixar seqüelas.

Diagnóstico

O médico baseia seu diagnóstico nos sintomas e não nos resultados de exames laboratoriais específicos. O diagnóstico é estabelecido pela presença de uma febre que perdura pelo menos 5 dias e pela ocorrência de quatro das seguintes alterações no corpo: erupção cutânea, extremidades edemaciadas e vermelhas; olhos hiperemiados; alterações nos lábios e boca; e linfonodos aumentados de tamanho. A princípio os exames de sangue revelam contagens elevadas de leucócitos e contagens baixas de eritrócitos (anemia). A seguir, eles revelam contagens elevadas de plaquetas. Outros exames laboratorias podem apresentar resultados anormais de acordo com os órgãos e sistemas afetados.





Complicações da Síndrome de Kawasaki

Complicações envolvendo o coração
• Inflamação das artérias que transportam sangue para o coração (artérias coronárias)
• Aneurisma coronariano (dilatação de uma porção de uma artéria coronária)
• Pericardite (inflamação do saco que envolve o coração)
• Miocardite aguda (inflamação do músculo cardíaco [miocárdio])
• Insuficiência cardíaca
• Infarto do miocárdio (morte do músculo cardíaco)
03/01/09
Cris
Outras complicações
• Erupções incomuns
• Uveíte anterior (inflamação do interior do olho)
• Dor ou inflamação articular (sobretudo das articulações pequenas)
• Meningite asséptica (inflamação não infecciosa das membranas que revestem océrebro)
• Colecistite (inflamação da vesícula biliar)
• Diarréia



Prognóstico

Geralmente, as crianças recuperam-se totalmente quando as artérias coronárias não tiverem sido afetadas. Aproximadamente 1 a 2% das crianças com síndrome de Kawasaki morrem, geralmente em decorrência de complicações cardíacas. Dentre estas, mais de 50% morrem no primeiro mês, 75% em 2 meses e 95% em 6 meses. No entanto, a morte pode ocorrer mesmo após 10 anos e, algumas vezes, subitamente e de forma inesperada. Os aneurismas coronarianos menores tendem a desaparecer em um ano, mas as artérias coronárias podem permanecer fracas, causando problemas cardíacos anos mais tarde.

Tratamento

Lábios e língua cor de "morango" característica da Síndrome de Kawasaki
que pode ser primordial para confirmação do diagnóstico

O tratamento precoce reduz significativamente o risco de lesão coronariana e acelera o desaparecimento da febre, da erupção cutânea e do mal-estar. Durante 1 a 4 dias, são administradas doses elevadas de imunoglobulina pela via intravenosa, assim como doses elevadas de aspirina pela via oral. Após o desaparecimento da febre, o médico geralmente prescreve uma dose mais baixa de aspirina por vários meses, para reduzir o risco de lesão coronariana e a de formação de coágulos sangüíneos.

O médico solicitará ecocardiogramas freqüentes para verificar possíveis complicações cardíacas. Os aneurismas coronarianos grandes podem ser tratados com medicamentos anticoagulantes (p.ex., warfarina), além da aspirina. Os aneurismas pequenos podem ser tratados somente com a aspirina. Em alguns casos, quando a criança contrai uma gripe ou a varicela, ao invés da aspirina, o médico pode preferir o dipiridamol temporariamente para diminuir o risco de ocorrência da síndrome de Reye.
Fonte: Manual Merck

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