FAMOSOS - Prestes a completar 90 anos em 1º de junho de 2012, embora na sua certidão de nascimento conste a data de 10 de junho de 1922, Bibi Ferreira sintetiza suas nove décadas de vida e sete de gloriosa carreira na cena brasileira no roteiro de Bibi - Histórias e Canções, espetáculo que reinaugura um dos mais célebres teatros do Rio de Janeiro (RJ), o Tereza Rachael, agora rebatizado como Theatro Net Rio, mas popularmente conhecido como Terezão. Na estreia para o público, na noite de 7 de abril de 2012, Bibi contou histórias, interpretou canções e - como de hábito - deixou a plateia extasiada com seu talento múltiplo e incomum. Derivado do roteiro de Bibi in Concert IV - Histórias e Canções,

"Quem sabe eu ainda sou uma garotinha?...", considerou Bibi Ferreira, marota, ao entrar no palco do Theatro Net Rio após os acordes finais de Malandragem (Frejat e Cazuza), música tocada sob a regência do maestro Flavio Mendes pela orquestra de 27 músicos que divide a cena com a atriz-cantora neste show comemorativo de seus 90 anos, a serem completados em 1º de junho de 2012.
Talvez seja mesmo. Quase aos 90, Bibi Ferreira se porta em cena no show Bibi - Histórias e Canções como uma garotinha ávida de vida, de palco - como uma artista na flor da idade para citar o título do tema composto por Chico Buarque para a trilha sonora do musical Gota d'Água (1975), um dos ápices dos 71 anos de carreira de Bibi e da própria dramaturgia brasileira. Em registro instrumental, Flor da Idade (Chico Buarque) abre o roteiro urdido pela própria Bibi com seu empresário Nilson Raman (partner da estrela em A Quoi a Ça Sert L’Amour, dueto inserido no bloco de canções do repertório de Edith Piaf), com João Falcão (diretor do espetáculo) e com o maestro regente Flavio Mendes.

A rigor, o roteiro costura números de shows recentes da artista como De Pixinguinha a Noel, Passando por Gardel (2010) e Bibi in Concert IV - Histórias e Canções(2011). Com exceção do belo vestido roxo, nada soa exatamente novo para quem acompanha a gloriosa trajetória de Bibi nos palcos brasileiros. Mas tudo soa novo e cheio de frescor pela vivacidade dessa garotinha nonagenária, embebida em Arte já no berço. A voz já não tem evidentemente a carga e a força dramática de tempos idos. Só que a força maior - a da vida, a do prazer de estar em cena dividindo histórias e canções com seu público - continua toda com Bibi. Vivaz, Bibi vai de Carlos Gardel (1890 - 1935) a Edith Piaf (1915 - 1963) com a mesma desenvoltura com que encaixa letras de sucessos da música brasileira pré-Bossa Nova nas melodias clássicas de árias de óperas - proeza que já mostrara em seu hoje raríssimo álbum Bibi Ferreira em Pessoa(1963) - e com que encara temas de musicais que já encenou e que, como diz em comentário novamente maroto, ainda cogita encenar.

Se tangos como Cuesta Abajo (Carlso Gardel e Alfredo Le Pera) são reminiscências dos avós da garotinha, as canções de Edith Piaf já se confundem com a própria história de Bibi tamanha a força com que a intérprete se apoderou delas a partir do espetáculo Piaf - A Vida de Uma Estrela da Canção (1983), outro ápice de sua carreira. Outras até então nunca associadas a Bibi, como Ponteio (Edu Lobo e José Carlos Capinam), crescem em cena pela moldura orquestral e pela tal força da cantriz. Contadas as histórias e interpretadas as canções, em roteiro que jamais perde o pique, Bibi sai consagrada de cena. Com a alma lavada pelo banho de cultura e de musicalidade, o público extasiado já considera que talvez - quem sabe? - Bibi Ferreira ainda seja mesmo uma garotinha de 90 anos.

Serviço
Título: Bibi - Histórias e Canções
Artista: Bibi Ferreira (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio - Sala Tereza Rachel (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 7 de abril de 2012
Espetáculo em cartaz de sexta-feira a domingo no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ)

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