Os contos de fadas voltaram com tanta força em Hollywood que o público irá conferir este ano duas versões da clássica história da garota “com a pele tão branca quanto a neve e o cabelo tão escuro quanto a noite”. A primeiro versão a chegar aos cinemas, Espelho, Espelho Meu “Mirror Mirror”, aposta no público do conto de fadas original, investindo no colorido, piadas visuais e elementos quase infantis, trazendo até referências à ubíqua animação da Disney de 1937.

Esqueça os versos fofos de "eu vou, eu vou, para casa agora eu vou", da musiquinha que os sete anões cantavam no clássico de Walt Disney, Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Aliás, esqueça também a fofura e ingenuidade da própria Branca de Neve. A magia e o humor de outrora, no entanto, continuam presentes em Espelho, Espelho Meu (Mirror mirror), que estreou na semana passada nas grandes cidades, produzido pelo estúdio independente Relativity Media. Feito sob medida para agradar a adultos e crianças do século 21, o longa atualiza o clássico conto dos irmãos Grimm, transformando Branca de Neve (interpretada por Lily Collins) numa mulher forte e guerreira e a Rainha Má (Julia Roberts) numa interesseira fútil.

Dirigido por Tarsem Singh (“Imortais e a Cela”), “Espelho, Espelho Meu” funciona tanto como uma um entretenimento leve, sem qualquer pretensão, quanto um filme infantil bem caprichado, e que pode agradar também ao público adulto. A constatação é uma surpresa, já que os trailers da produção não inspiravam muita confiança, com piadas isoladas e um aparente exagero da interpretação de Julia Roberts como a Rainha Má, além de apostar na quase estreante Lily Collins no papel principal – sim, porque apesar do título, Branca de Neve continua no centro da história.

O grande acerto dos roteiristas Melissa Wallack e Jason Keller foi estabelecer o clima leve já na introdução, com um monólogo bem-humorado de Julia Roberts apresentando o universo mágico (ilustrado por uma bela animação). A dupla também acertou ao não ficar presa às adaptações anteriores, apenas emprestando o visual colorido da animação clássica e a premissa do texto dos irmãos Grimm. Com isso, “Espelho, Espelho Meu” respeitou o material original e manteve sua magia, mas aproveitou para subverter alguns valores, adaptar-se ao público moderno e entrar na onda recente das obras que trazem uma personagem jovem e feminina como heroína.

Desta vez, Branca de Neve não é um princesinha em perigo, que espera passiva por seu salvador. Ao contrário, é ela quem deve beijar o Príncipe para quebrar um encanto.

Extravagante, super colorido e com uma bela fotografia, Espelho Espelho Meu suprime a história o caçador. Na floresta, Branca de Neve tem de se proteger de um monstro. Os sete anões também ganharam novos nomes: Grim, Açougueiro, Lobo, Napoleão, Tampinha, Rango e Riso. Embora cada um deles carregue uma personalidade distinta, não têm semelhanças com os originais de Disney. No filme, eles tampouco são mineiros, mas ladrões, que usam pernas de pau retráteis.

Branca de Neve, se mostra uma mulher madura e corajosa. Ao encontrar os anões, ao invés de ficar fazendo comidinhas para eles, ela aprende a lutar com espada e lidera uma rebelião contra a madrasta. Numa cena hilária, o príncipe encantado Alcott (Armie Hammer, que interpretou os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss, em A Rede Social, de 2010) é enfeitiçado pela madrasta. Para o feitiço ser desfeito, Branca de Neve tem de beijá-lo, invertendo a história na qual é o príncipe quem beija a mocinha. Na história também há a clássica maçã envenenada. Mas a reação de Branca de Neve será completamente diferente da do conto dos irmãos Grimm.

A interpretação de Julia Roberts, por sua vez, apesar de bastante burocrática, agrada. A atriz não parece se esforçar para transformar-se na rainha má, mas um papel de vilã lhe caiu bem. É impossível, no entanto, sentir raiva dela. Pelo contrário em alguns momentos é inevitável torcer por suas pequenas maldades, como quando ela transforma seu mordomo em uma barata asquerosa. O espelho mágico, claro, também está lá, porém bem mais moderno e cheio de efeitos especiais.

A direção de Tarsem Singh (de A Cela, de 2000, e Imortais, de 2011) segue o estilo que o caracterizou. Os cenários são absolutamente exagerados, repletos de efeitos especiais, como se os personagens vivessem num mundo fantástico de conto de fadas (o que de fato é verdade). O indiano ficou tão à vontade e ganhou tanto a confiança dos produtores que até inseriu um número de dança bollywoodiano nos créditos finais. Vale destacar o figurino, assinado por Eiko Ishioka, que já ganhou o Oscar de melhor figurino pelo filme Drácula de Bram Stoker (1992), dirigido por Francis Ford Coppola.

Video
http://www.youtube.com/watch?v=PKi1kOWfoaQ

0 comentários :

Postar um comentário

 
Top