No embalo da projeção nacional obtida por Gaby Amarantos com o apoio da TV Globo, a cantora paraense Aíla exporta para o Brasil seu Trelêlê. Música pop com sotaque amazônico. Aíla Iniciou a carreira artística em 2008, no Pará, estado onde mora e já é considerada um dos principais nomes da nova safra de artistas da região norte. Trelêlê confirma o momento inspirado da cena musical de Belém e arredores.

Seu timbre exótico e interpretação marcante se entrelaçam a uma estética sonora influenciada pela música pop mundial e sotaques da floresta urbana amazônica, como o brega, a lambada, a guitarrada e o carimbó, que se misturam a sonoridade caribenha da cúmbia, salsa, zouk e cacicó, resultando em um trabalho vibrante, híbrido e cheio de cor, que busca reinvenções no cenário da música pop produzida no Brasil.

Em vez de esboçar qualquer rivalidade com a colega hypada, Aíla soma referências, trazendo Gaby Amarantos para seu disco. A intérprete do hit Ex Mai Love é a convidada da releitura da deliciosa Garota (Alípio Martins), exemplo da abordagem pop e moderna do suingue latino que banha a música do Pará (o tema é da década de 80). Trelêlê liquidifica referências de guitarrada, (tecno) brega, merengue e Jovem Guarda em coquetel leve de sabor pop. Até o canto falado do rap é triturado na quase psicodélica Todo Mundo Nasce Artista.

Com o tal suingue latino, Brechot do Brega (Antonio Novaes) também roça o universo psicodélico evocada pela letra surrealista deste tema da extinta banda paraense A Eutérpia. Mas é mais fácil se deixar levar pelo balanço miscigenado de Preciso Ouvir Música Sem Você (Felipe Cordeiro) - faixa que concilia a levada da salsa com o toque da guitarrada do Pará - e de Proposta Indecente, mix abolerado de cha cha cha e pop à moda da Jovem Guarda. Lenda viva da música do Pará, Dona Onete é a convidada dessa faixa. Mesmo sem ter uma voz marcante ou volumosa, Aíla ajusta seu canto com perfeição à atmosfera de leveza de Trelêlê, cuja faixa-título é exemplo bem-acabado da habilidade de filtrar a estética paraense pelo pop contemporâneo.

Vamos (Felipe Cordeiro e Jorge Andrade) rebobina o suingue regional no qual o álbum está embebido enquanto Caminho (Renato Torres e Ana Flor) e Qualquer Esperança (Renato Torres e Ana Flor) direcionam Trelêlê para rota menos sedutora. Sucesso nacional de Eliana Pittman nos anos 70, o carimbó Dona Maria (Pinduca) ressurge mais melódico e com menor voltagem rítmica em nova prova da personalidade de Aíla como intérprete. No fim, o samba À Sua Maneira - alocado como bônus por já ser sucesso da cantora na cena paraense - fecha Trelêlê, reiterando a ótima impressão deixada por este CD de refinada arte gráfica que cresce pela produção extremamente azeitada de Felipe Cordeiro.

Vídeo da Aila ao vivo cantando Garota com participação de Gaby Amarantos
http://www.youtube.com/watch?v=YkTHCn7cQSc


Título: Trelêlê
Artista: Aíla
Gravadora: Na Music
Valor: 20,00

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