A responsabilidade de se candidatar, a responsabilidade de se disponibilizar à um cargo público e cuidar dos interesses, e, principalmente, das necessidades dos cidadãos. Mas onde está esse cuidado (?!) onde está o preenchimento das necessidades no mínimo básicas do cidadão (?!) a quem cabem esses deveres (?!), sendo assim, avigora o encargo do cargo. Este texto traz uma discussão, quem sabe uma crítica sobre eleições, sob a óptica talvez de um cidadão anulado pela ineficácia de gestões políticas.

Porque não anular algo que é anulado, há tempos Gilberto Gil canta “No poder da autoridade, de tomar a decisão; e o poder da autoridade, se pode, não faz questão; Mas se faz questão, não consegue enfrentar o tubarão [...]”. Até quando o cidadão será obrigado a anular a saúde, a educação, a segurança, a dignidade, a vida; e não por falta de profissionais, pois nas diversas áreas se encontram pessoas dispostas e capazes a desempenharem suas funções, porém, muitas vezes esbarram na falta de estrutura e na burocrática burocracia de dificultar os projetos viáveis. E G.Gil reforça, “[...] e o governador promete, mas o sistema diz não”. E possivelmente, o sistema sistematiza a estupidez e a hipocrisia, cantadas por Gil há tempo, e, provavelmente, sistematizou os vieses e os reveses favoráveis.

Em outro texto do autor deste, trouxe questionamentos, que se seguem, “quem falta querer que no mundo não possa haver mais fome?! quem falta querer que no mundo não haja mais mortes por armas de fogo?! quem falta querer utilizar outras fontes de energia mais sustentáveis?! quem falta querer que as pessoas sejam bem educadas e escolarizadas?! quem falta querer melhor distribuição dos recursos?! quem falta querer fim de uma corrupção cruel?! quem falta querer que todos possam querer?! quem falta querer que todos possam ter o que querer?!”.

Mas as necessidades dos cidadãos não são saciadas, são anuladas; os desejos não são estimulados, são anulados; os anseios, as aspirações, os sonhos, nem se falam. Como desejar se primeiro é preciso se alimentar, e, Abraham Maslow corrobora com sua famosa pirâmide das necessidades. E o cidadão vota e simplesmente é anulado.

O momento é de eleições, e principalmente, de reflexões, e, também de aparições. Aparecem novos candidatos, recandidatos, ‘re-recandidatos’; outros estão candidatos desde o advento das eleições, seja direta, indireta, ou qualquer coisa que o valha. Alguns candidatos deveriam ter em suas mensagens algo do tipo: “vote em mim de novo seu trouxa!”, ou simplesmente, “vote!!!”, pois muitos não sabem o que é votar.
Em texto recente Tico Santa Cruz, argumenta que “[...] Muita gente sequer sabe diferenciar eleições municipais, Estaduais e Federais”, o autor ainda ressalta “[...] Me refiro a grande parte dos cidadãos deste país, incluindo gente de classe privilegiada”. No texto de T.S.Cruz ainda há um questionamento sobre o entendimento de democracia, e realmente é complicado a compreensão, e também o de política, o de gestão pública, que talvez possa ser um conceito mais moderno dentro desse contexto, e possivelmente haja outros, pois a ciência em sua essência se transforma, entretanto, a atuação política, nem tanto.

Mas que ‘porra’ é essa?! Política?!! Segue Tico Santa Cruz “[...] Mas é a política que define ABSOLUTAMENTE TUDO em sua vida. Desde o preço do combustível do seu carro até o valor das passagens dos transportes públicos. É a política que determinará o quanto de impostos você pagará por TODOS os produtos que consome. São os políticos que criam as leis que teremos de cumprir e estabelecem novos estatutos relacionados a tudo que nos cerca. Nesse caso, como você pode dizer que não se interessa por política?”.

Interessa sim, o problema é que, talvez, a política e os políticos não se interessam pelos cidadãos. Os cidadãos são nulos, só fazem pagar, taxar, tarifar, tributar muito, e, pouco retribuído, restituído, ressarcido, compensado; como afirma Zé Ramalho em um de seus clássicos “É duro tanto ter que caminhar, E dar muito mais do que receber [...]”, ou como John Lennon, também em uma de suas canções, mencionou “Um milhão de trabalhadores que trabalham para nada [...]”. Mas o cidadão nulo tem que votar “Enquanto os homens exercem seus podres poderes [...]”, também cantou Caetano, e disse mais, “[...] Minha estúpida retórica, terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos”. Votar pode ser um ato de consciência e compromisso com a democracia, mas quem sabe falte consciência, vontade, ou, corações nos peitos aos eleitos em pleitos. E até o ímpeto de luta por direitos do cidadão também é anulado.

Então, na canção supracitada de J.Lennon ele canta “Poder às Pessoas”, e, como já mencionado, há recursos financeiros para construir estádios, promover grandes eventos, modernizar e informatizar as instituições financeiras estatais; e com certeza para construir escolas, estruturar e preparar hospitais, que são vitais, alimentação à toda população, e, tudo mais. E ainda sem dúvida nenhuma, para oferecer mínimo de dignidade à todos. O cidadão nulo não pode ficar, deve ser eleito como prioridade, e, aos elegidos rever os conceitos de eleições, de política, de gestão pública, e quiçá carece avançar à um conceito e prática de uma gestão humana.

Christian Portugal Leite é Tutor da Universidade Salvador – UNIFACS, e, consultor de empresas.

2 comentários :

  1. Prezado professor Christian,
    Fiquei simultaneamente triste e feliz ao ler sua matéria sobre eleições, isto, por que conseguiu tocar na ferida existentente na sociedade Brasileira e partilhou comigo o mesmo sentimento de desepero e frustração.

    O povo está cansado de ser enganado e levado a crer que " agora é para valer, este vai fazer a diferença" ou que " a coisa agora muda"... tudo repetida promessas que não levam a nada e morrem na praia.
    Precisamos educar nossa sociedade a pensar e dizer não ao que lhes é imposto. Temos que apostar forte na educação das gerções futuras e direcioná-las para a mudança. Nao adianta acreditar que podemos midar o futuro se não agirmos sábiamento no presente.
    Temos que dar voz ao povo que elge e assim poderemos eleger com conhecimento de causa e não apenas para obedecer lei.
    Precisamos de mais " facilitadores" como sua pessoa Christian, para que consigamos plantar a semente do conhecimento instigante e promissor nas camadas jovens e que de algum modo possamos mudar o futuro de nossa sociedade. enquanto isso .... temos que remar contra a maré e esperar que nosso barco não vire nas ondas de ignorância, imcompetência e falta de informação.

    Att:

    João Franco: ex-formando em administração eterno seguidor de Seu tutor.

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  2. Artigo maravilhoso e o comentário de João Franco também...

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