Este texto trata-se de uma reflexão a partir de uma pesquisa que resultou em um estudo monográfico com o objetivo de verificar as relações entre o ócio, a criatividade, e a educação. Porém, este escrito descreverá sobre a importância do ócio para o ser humano com vistas à qualidade de vida, pois o ser humano necessita de tempo livre e de lazer. Faz-se necessário uma correlação entre ócio, lazer e tempo livre, já que, os estudos ligados ao lazer, são muito mais incidentes que no campo do ócio. No dicionário Aurélio (1999, p. 1431), encontra-se a seguinte definição de ócio, Ócio = (do lat. Otiu) S.m. 1. Descanso do trabalho, folga, repouso. 2. Tempo que se passa desocupado; vagar, quietação, lazer, ociosidade. 3. Falta de trabalho; desocupação, inação, ociosidade. 4. Preguiça, indolência, moleza, mandriice, ociosidade. 5. Trabalho mental ou ocupação suave, agradável. Observa-se a relação ócio, tempo livre e lazer, e, que perpassam ao termo descanso, logo, um provérbio espanhol diz ‘descanso é saúde’.

No final do século XVIII o expediente de trabalho superava quinze horas diárias, Paul Lafargue, em 1888, já previa a obsessão do homem ao trabalho e que ocasionou distúrbios graves, e, afirmou “que nossa época é o século do trabalho, da dor, da miséria e da corrupção”, e ainda acrescentou que “o capitalismo tornou o trabalho a causa de todas as degenerações intelectuais e orgânicas do ser humano”.

Porém em 2015 os jovens que terão entre vinte e quarenta anos disporão de aproximadamente 300 mil horas de tempo livre, afirma o sociólogo Domenico De Masi. Ao visualizar mais claro a relação entre trabalho e ócio, Bertrand Russeul afirma que, “eu prefiro pensar, para estar seguro de minha posição que quatro horas de trabalho diário de todos os indivíduos adultos seriam suficientes para produzir todo conforto material que pessoas razoáveis poderiam desejar”.

Entre as definições que chamam a atenção dessa relação ócio, tempo livre e lazer é a que se relaciona à qualidade da ocupação, ou seja, na 'ocupação saudável' do tempo disponível. Daí ressalta-se a suma importância do prazer em suas atividades, mas, infelizmente, segundo De Masi, o assunto é tratado de maneira secundária e sem importância. Domenico De Masi, no texto 'A economia do ócio', menciona a prioridade de ascender ao 'humanismo do ócio' em contraposição do 'humanismo do trabalho', “sendo assim, eles devem se empenhar na saudável, e agora realística, tentativa de combinar o trabalho com o estudo e com a diversão, fazendo destas atividades uma síntese inovadora e fecunda”. Russeul ratifica que “o uso judicioso do ócio é produto da civilização e da educação”.

Para que se atinja esse ideal de hábito, o tempo livre deve assumir uma função educativa para adquirir discernimento nas escolhas das atividades. Pois, a necessidade atual é de se retomar os desejos de Aristóteles de desfrutar o ócio. E para que a sociedade seja feliz, afirma B. Russeul “deve ser educada com uma visão de um deleite mental, e que qualquer pessoa esteja em condições de gozar a vida”. Para Domenico De Masi (2000) tempo livre significa, antes de tudo, descobrir quantas coisas podemos fazer “passear sozinhos ou com amigos, ir à praia, fazer amor com a pessoa amada, ler um livro, provocar uma discussão com um motorista de taxi, admirar quadros, balançar numa rede; em suma, dar sentido as coisas de todo dia”.

Carlos Drummond de Andrade afirmava que “a vida necessita de pausas”. Willian Shakespeare ditava: “Devagar! Quem mais corre mais tropeça”. Betrand Russeul proclama, “uma campanha para persuadir jovens de boa índole a não fazerem nada, o que não quer dizer que podemos ficar de pernas para o ar, mas que não devemos nos matar de trabalhar”, e principalmente, que se possa ter também prazer no trabalho, e assim, resultaria, complementa Russeul em “um novo modelo de sociedade capaz de criar, inovar, de aliviar o cansaço humano”. E quem ganha, além do ser humano, é a ciência, a arte, e principalmente à qualidade de vida.



Christian Portugal Leite é Tutor da Universidade Salvador – UNIFACS, e consultor de empresas.

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