Vitrine da Costa



Uma grande surpresa aguardava os pesquisadores do Projeto Baleia Jubarte no último dia 26 de outubro. Tudo começou quando a equipe tentou se aproximar de uma jubarte no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, mas a baleia nadava muito rápido e ficou difícil acompanha-la. Até aí nada de extraordinário, a surpresa ocorreu quando ela ergueu a nadadeira caudal e os pesquisadores viram que ela tinha apenas metade da cauda. “Uma das metades, que nós chamamos de lobo esquerdo, estava amputada” relata Milton Marcondes, médico veterinário e diretor de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte.

Apesar da lesão, a baleia, que é um macho, estava ágil, o que foi percebido ao se juntar a um grupo onde já havia uma fêmea com seu filhote e outro macho. “Nestas situações forma-se o que nós chamamos de grupo competitivo, onde dois ou mais machos disputam para ver quem vai acasalar com a fêmea. Os machos tentam intimidar um ao outro com golpes na água e ruídos para tentar afugentar o concorrente” informa Marcondes.

A baleia foi apelidada de “Artur”, pois uma das estagiárias a bordo disse que tem um cão com este mesmo nome e que apresenta uma lesão na pata que o faz mancar. Artur (a baleia) não aparentava dificuldade para nadar.

Ao retornar para terra os pesquisadores tiveram a segunda surpresa. Artur já havia sido fotografado pelo Projeto Baleia Jubarte em 1998. Na época, ele já tinha a lesão na cauda. Os pesquisadores acreditam que a lesão possa ter sido ocasionada por uma rede de pesca. De acordo com Marcondes “é comum as baleias ficarem emalhadas em redes de pesca. Nestas situações o nylon pode acabar causando ferimentos e levar à amputação de algum membro”.

Esta foi a primeira reavistagem de Artur desde 1998, quinze anos depois ele demonstra estar bem adaptado a sua condição.

Instituto Baleia Jubarte

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