O Dossiê Saúde das Mulheres Lésbicas – Promoção da Equidade e da Integralidade, publicado pela Rede Feminista de Saúde, mostra que 40% das mulheres que procuram atendimento em saúde não revelam sua orientação sexual. Entre as mulheres que disseram, 28% referem maior rapidez do atendimento do médico e 17% afirmam que estes deixaram de solicitar exames considerados por elas como necessários.

Com relação ao exame preventivo de câncer cérvico uterino (Papanicolau), uma pesquisa, realizada em 2002, pela Coordenação Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS, demonstra que entre as mulheres heterossexuais a cobertura na realização deste exame nos últimos três anos é de 89,7%. Já entre as mulheres lésbicas e bissexuais, a cobertura cai para 66,7%, mesmo entre pessoas com maior escolaridade e renda.

Lésbicas e bissexuais sentem-se inibidas em procurar ajuda do ginecologista. Embora não seja possível estimar quantas não vão aos consultórios, o movimento de homossexuais femininas queixa-se sobre a falta de um espaço adequado para falar sobre sexualidade e preconceito institucional. Muitas saem dos consultórios com recomendações para usar pílulas anticoncepcionais ou camisinha masculina. Elas também acham que só vai ter câncer no colo do útero quem tem relações heterossexuais, por isso não fazem o exame preventivo.

O quadro da falta de cuidado vai contra as recomendações do Ministério da Saúde. Mesmo que elas não tenham uma relação sexual com penetração e não usem contraceptivos, devem se consultar anualmente com um profissional da área e serem adequadamente atendidas, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS): equidade, universalidade e integralidade.

O Sistema Único de Saúde do Ministério da Saúde assegura a assistência ginecológica de qualidade e atenção à saúde integral em todas as fases da vida para as mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais. Independente da orientação sexual, o ministério sugere o exame preventivo do câncer de colo de útero a cada três anos para aquelas que têm entre 25 e 59 anos e exames anuais para aquelas com citologia alterada. A mamografia é recomendada uma vez a cada dois anos, para as mulheres entre 50 e 69 anos.

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